sexta-feira, 19 de junho de 2009

DEPRESSÃO – CONHECENDO A QUÍMICA CERTA PARA A VITÓRIA

Existem duas categorias de depressão: as chamadas depressões endógenas, que têm um caráter genético, usualmente com vários antecedentes na família, que são depressões intensas, e depressões reativas, cujo nome indica, são reacionais a reações estressantes do meio, e são causadas principalmente por fatores psicogênicos.


As depressões endógenas, a fora as depressões unipolares, ou seja, casos em que, ao longo da vida, apresenta sempre seguidas depressões, geralmente apresentam–se fazendo parte do complexo transtorno bipolar. É bem importante que a diferenciação dos dois tipos de depressão sejam bem fundamentadas (e só um psiquiatra tem condição de fazê-lo), pois dessa diferenciação decorre a adequada terapêutica. No primeiro caso, requer o uso contínuo de medicações que variam de acordo com cada fase do quadro de transtorno bipolar. Há uma gama de antidepressivos, estabilizadores do humor, ansiolíticos e antipsicóticos típicos e atípicos que só um especialista tem condições de manejar adequadamente essas ferramentas, visando conduzir o paciente a um patamar de estabilidade.

Até recentemente o cérebro era uma caixa de segredos. Hoje, graças aos estudos dos neurotransmissores, consegue-se monitorar de uma forma mais clara a bioquímica cerebral. Ou seja, nas depressões endógenas integrantes do transtorno bipolar, o tratamento fundamental ainda é o farmacológico associado a uma construtiva relação médico-paciente, onde o médico funciona muitas vezes como um espelho, mostrando-o da necessidade de se cuidar.

As depressões endógenas apresentam-se com vários sintomas catalogados fenomenologicamente como anedonia (ausência de prazer em fazer): paciente não tem ânimo para nada; lentificação do curso do pensamento: paciente tem dificuldade de concatenar as idéias por conta da lentificação, cansa-se facilmente, fala lento, diminui a cognição e compromete a memória; hipomotricidade (lentificação motora), fácies parado e deprimido. Em casos extremos o paciente fica sem sequer sair da cama: lentificação de todas as funções vitais, incluindo a sexualidade: perda de libido, impotência no homem, e anosgarmia e dispaurrenia na mulher. São comuns idéias suicidas, e é um risco que deve ser avaliado cuidadosamente, pois, sobretudo na saída dos quadros depressivos é que ocorrem os suicídios premeditados.


As depressões reativas ou psicogênicas são formas de reação do organismo contra as agressões externas (estresse do dia a dia, perdas) ou internas (pulsões, sentimentos de culpabilidade), manifestando-se como inadequado manejo da energia psíquica, como um voltar-se contra si. É função médico-terapeutica, através de uma psicoterapia, re-ensinar a viver com sua realidade existencial. Algumas vezes é necessário o uso de antidepressivos, mas não dessa forma banalizada como é feito. A ênfase do tratamento deverá ser centrada na resolução dos conflitos existenciais. Entende-se que esta depressão tem caráter de defesa, e amiúde, o paciente não quer e/ou não está preparado para abrir mão desse sistema defensivo, preferindo, muitas vezes, o artifício do antidepressivo-ansiolítico para suportar viver. Assim se matem a Psiquiatria Tradicional amarrada à Farmacologia (leia-se: Indústria Farmacêutica) que só enxerga essa possibilidade.


O mundo capitalista reduz o homem ao ter: pobres mortais escravizados pelo trabalho, quase sempre desprazeroso. Descubra um trabalho que você faça por prazer, e faça-o. Aí você pode me perguntar: -- Mas como vou sustentar a minha família? Manter-me na minha posição social? Consumir os bens que tanto gosto? Bem, é uma equação difícil de resolver. Complexa. Mas, está na base das depressões existenciais.

Aí vão algumas sugestões para tentar resolver essa equação:

  • Consuma menos;
  • Ligue menos para os outros;
  • Negocie tempo para o trabalho escravo: tempo para o que você tem obrigação de fazer X tempo para o que você gosta de fazer;
  • Descubra o potencial dos sentidos: fique em silêncio para amolá-los; pratique meditação, existem vários tipos, informe-se. A M.T. (Meditação Transcendental) é uma delas.
  • Escute músicas, não as que são “pra tocar no rádio”, o som penetra em todas as células do nosso organismo. Sinta que a música tem harmonia. As músicas orquestradas são melhores de ouvir. As clássicas, melhor ainda – Mozart, está provado, aumenta até leite de vaca. Música subliminar penetra no nosso ser. Escute os sons da natureza, eles são relaxantes.
  • Se viver em Cidade, vá ao campo como um lazer;
  • Escute e converse palavras agradáveis. Evite notícias terroríficas;
  • Dance, a vida é uma dança. Existe uma dança nos átomos;
  • Mexa-se, pratique esportes. A atividade física é essencial. Difícil é dar o primeiro passo;
  • Alimente-se de forma saudável, com reverência, com moderação, com tempo para curtir o momento com seus semelhantes, onde você estiver. Compartilhe esse momento com alegria. Sentar-se à mesa não é meramente um símbolo, é comunhão!;
  • Respire: respirar é viver. Procure morar onde tem melhor qualidade de ar, menos poluída;
  • Pratique Yoga (Procure se informar. O Yoga, nos seus vários caminhos Hatha, Bakti, Raja, etc. A Hatha, mais popularizada no ocidente é utilizada quase como um sistema de educação física, propicia através de suas diversas ásanas (posturas), verdadeiras massagens nos órgãos internos; Pranayamas: vários tipos de respiração Yogue que conduzem o praticante ao estado de controle emocional.) Procure se informar em livrarias ou academias especializadas;
  • Aprenda a dormir: 64% dos brasileiros dormem mal.
  • Massagem, especialmente o Shiatzu e a Ayurvédica;
  • As medicinas energéticas (a Homeopatia, a Acumputura)
  • A medicina Antroposófica;

A Naturopatia, Hidroterapia com seus efeitos benéficos e desintoxicantes; Argiloterapia, Fitoterapia (terapia pelas plantas).

Todos estes recursos e muitos outros estão aí a nossa disposição. Não existe um só caminho para a recuperação da saúde, procure buscar um que seja adequado para si, pois em essência todos nós temos duas partes: a sadia e a doente. Procure fortalecer a parte sadia da personalidade construindo relações humanas saudáveis e buscando um encontro pessoal com Deus em qualquer forma que o concebas, pois essa ligação lhe trará a compreensão melhor do ser e do viver.

DR. GIL BRAZ BORGES VASCONCELOS